domingo, 1 de fevereiro de 2015

Post Mortem - Rage, Ace Combat: Assault Horizon e Brütal Legend


Nessa segunda parte da minha coluna sobre os bons jogos esquecidos da geração passada, falo de três jogos que aparentemente não tem ligação nenhuma entre sí...



...e realmente não tem.

Rage

Sete anos depois do lançamento de Doom 3, a clássica produtora id Software (de Doom e Quake) retornou com seu mais novo FPS em 2011. Rage é um jogo de mundo aberto focado não apenas no combate em primeira pessoa, mas também veicular, do jeitinho que todo fã de Mad Max sempre sonhou.

Ele trouxe a nova engine da empresa, a id Tech 5 (a última a ser desenvolvida por John Carmack, que saiu da empresa recentemente), que prometia trazer uma taxa de quadros sempre constante e uma nova maneira de se utilizar texturas em um jogo 3D. Infelizmente essa tecnologia estava longe de funcionar bem com a quantidade de memória disponível nos consoles da geração passada, e o que tivemos foi um jogo que está o tempo todo carregando texturas na cara do jogador.

Mas deixando esse aspecto de lado, temos um jogo muito bem produzido, com personagens carismáticos e muito bem animados, cada NPC das cidades tem sua própria personalidade e visual. Esse detalhismo na animação também se aplica aos inimigos, que  se movimentam pelos cenários de maneira muito fluída e natural (os mutantes pulam e se penduram em cada objeto do cenário e os soldados tem um ótimo senso de como se proteger de seus tiros).

Rage tem vários problemas, como a falta de um mapa nas cidades, deixando o jogador constantemente perdido; a falta de checkpoints (fazendo com que jogadores que esqueçam de salvar tenham que repetir uma área inteira caso morram) e principalmente de narrativa, já que o jogador é basicamente um garoto de recados o  tempo todo e a "grande" batalha final é uma missão simples, muito inferior à outras que não tem tanta importância para a história, fazendo com que o jogo termine de forma estranha, parecendo que falta algo.

Mas apesar dos pontos negativos, não se pode negar que na parte mais importante, que são as mecânicas de jogabilidade, o jogo é impecável. Atirar em Rage é muito bom, e em conjunto com as dezenas de itens que podem ser fabricados, o combate se torna muito diversificado e divertido.

Rage foi demasiadamente criticado em seu lançamento, muito mais do que deveria ter sido, pois apesar de ter defeitos, as qualidades dele fazem com que ele ainda valha muito a pena ser jogado.

Ace Combat Assault Horizon

O gênero de combate aéreo sempre se resumiu ao jogador atirar misseis teleguiados em pontinhos voadores bem distantes. Assault Horizon quis mudar isso trazendo o combate para muito mais perto do jogador e também adicionando outras mecânicas ao jogo.

O grande destaque de AC: AH é a possibilidade de se "travar" sua trajetória em um inimigo e poder atacá-lo bem de perto, tornando os combates muito mais empolgantes e bonitos de se ver. Esse sistema permite ao jogo criar cenas dignas de cinema sem parecer ser algo muito escriptado ou forçado. E para evitar que o jogador se  sinta entediado depois de uma batalha com dezenas de caças inimigos, o jogo se diversifica trazendo também batalhas no controle de helicópteros de combate, armas de bombardeiros e de metralhadoras fixas em helicópteros de apoio. O refinamento dessas partes do jogo está longe de ser bom como na parte principal do combate em jatos, mas elas servem ao seu propósito.

O enredo é o esperado para esse tipo de jogo e, apesar de ter sido escrito por um ocidental, é contado com cenas e diálogos exagerados que só desenvolvedores japoneses conseguem fazer.

Assault Horizon é uma boa pedida para quem tem vontade de conhecer esse gênero.

Brütal Legend

Último projeto de grande porte de Tim Schafer e da equipe da Double Fine, Brütal Legend de 2009 foi um dos últimos exemplos à mostrar que jogos diferentes de todo o resto e com personalidade já não tem mais espaço entre as grandes produções feitas em escala industrial de hoje em dia.

No inicio ele aparenta ser um jogo de ação em um mundo abeto com visual inspirado em capas de discos de metal, mas aos poucos ele vai preparando o jogador para sua verdadeira mecânica principal, uma espécie de RTS onde você está ativamente envolvido nas batalhas entre um grande número de inimigos. Na época do lançamento, a Eletronic Arts (distribuidora do jogo) tentou vendê-lo como mais um clone de God of War, evitando citar no material de divulgação o que é o verdadeiro foco do jogo, isso fez com que ele tenha sido mal recebido por quem esperava algo mais simples e direto.

Como todo jogo de Tim Schafer, o grande destaque aqui são os personagens, todos muito criativos e inspirados em cada um dos esteriótipos do mundo do Rock. Na tropa de Eddie Riggs (protagonista dublado por Jack Black, que era um roadie antes de ser sugado para esse mundo) há Headbanguers (que lutam dando cabeçadas nos inimigos) groopies, motoqueiros, dentre outros. Os grupos inimigos vão dos coloridos do glam rock aos monocromáticos góticos. E ainda tem espaço para a participação de famosos, como Ozzy e Lemmy. Essas figuras se juntam em um roteiro com ótimos  diálogos mas que no geral é cheio dos clichés esperados nesse tipo de história.

Ao contrário do que muitos dizem, Brütal Legend é sim um jogo que se vale a pena conhecer.  Só o fato de se poder andar no veículo de Riggs  por esse mundo mega criativo e cheio de referências ao Rock que poucos vão entender (não entendi quase nenhuma) enquanto se escuta a grande seleção de música pesada claramente escolhida à dedo por alguém que realmente entende do assunto, faz com que o pouco que é pedido pela versão para PC do jogo já valha a pena.

6 comentários :

  1. Rage é excelente em quase tudo. o jogo é muito prazeroso de jogar.

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  2. O único que não joguei foi Ace Combat Assault Horizon. Aos demais concordo com tudo que disse. Excelente texto.

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  3. No caso do tim schafer eu acho que é maldição, tipo todos os grandes projetos dele ( grim fandango, brutal legend, psychonauts) deram errado

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  4. brutal legend é mt bom , pena q é pouco conhecido ...

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  5. Esse foi o post do ano (literalmente)!

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