domingo, 21 de agosto de 2011

TimeLine Rare: Parte VI - Tempo de mudanças


Quando a Rare anunciou as mudanças que ela tinha feito no seu próximo lançamento, Conker, a maioria das pessoas acharam que era uma brincadeira (mais detalhes nessa matéria do blog). Em 4 de março de 2001, todos descobriram que não era. Conker's Bad Fur Day ao mesmo tempo usa e tira sarro das fórmulas dos jogos de plataforma 3D tradicionais de maneira genial. Ele corrigiu muitos dos erros de backtracking que assolaram Donkey Kong 64, e trouxe o humor trash a lá South Park e referências à cultura Pop de uma forma jamais vista em um jogo de videogame.

Conker se beneficiou dos anos de experiência da Rare no N64, e trouxe gráficos inacreditáveis para o console, conseguindo superar tecnicamente seu último jogo, Perfect Dark, lançado um ano antes. Os diálogos totalmente hilariantes e politicamente incorretos empurraram os limites de ambos os meios de armazenamento (todo o jogo e seus diálogos totalmente dublados couberam em um cartucho de 64Mb) e de bom gosto, levando os críticos a loucura.

Não é de se surpreender que Conker não tenha agradado a Nintendo. Ela praticamente renegou o jogo, nunca o colocando em suas listas, ou o mencionando em qualquer uma de suas publicações oficiais. Conker ficou fora do mainstream, principalmente pela falta de divulgação, e por ter chegado já no fim do ciclo de vida do N64.

Apesar de todos os fatores, e as preocupações iniciais que levam à transformação total de Conker, outro jogo de ação e plataforma 3D com criaturinha bonitinhas já estava em desenvolvimento pela Rare para o N64. Rodando em uma engine semelhante a de Zelda: Ocarina of Time, Dinosaur Planet traria a aventura dos personagens Sabre e Krystal, que poderiam ser alternados em tempo real dentro do jogo. A produção do jogo já estava bem avançada, quando o projeto chegou à mesa de Shigeru Miyamoto. Ele imediatamente percebeu semelhanças (não intencionais) entre o design de Sabre, e de seu próprio personagem Fox McCloud (Star Fox). Ele também percebeu que com algumas mudanças, esse jogo se encaixaria perfeitamente na necessidade da Nintendo de trazer suas franquias famosas para o seu novo videogame, o GameCube.
Dinosaur Planet e Star Fox Adventures
Depois de algumas modificações, Dinosaur Island tornou-se Star Fox Adventures (matéria completa sobre a mudança em breve aqui no blog). Os críticos gostaram do jogo que lembrava Zelda, mas alguns não aceitaram a mudança de seu gênero tradicional de combate aéreo para um jogo de aventura (mesmo ainda tendo algumas partes espaciais).

Os fãs da Nintendo se sentiram traídos... não por causa das mudanças em Star Fox, mas porque esse se tornaria o último jogo da Rare em um console de mesa da Nintendo.

Já em 2000, a Microsoft começou a investir para ter os Stampers trabalhando em jogos para seu primeiro console. Em setembro de 2002, o mesmo mês que Star Fox Adventures chegou às lojas, eles tornaram isso oficial. Os Stampers e a Nintendo venderam suas partes da empresa, que combinadas custaram para a Microsoft 377 milhões de Dólares. Todos os direitos das franquias criadas pela Rare, e todas as suas equipes de desenvolvimento se tornaram propriedade da Microsoft. A Rare agora era uma produtora first-party do Xbox.

A operação não começou a valer imediatamente para todos.

Donkey Kong Racing, uma sequência semi-inacabada do anterior Diddy, caiu no esquecimento. Os únicos dois jogos que a Rare entregou para a caixa preta da Microsoft foram Grabbed by the Ghoulies, o maior fiasco da história da Rare, e Conker: Live and Reloaded, um port remasterizado, mais pesadamente censurado de Conker, que se saiu ainda pior nas vendas que o original.
Grabbed by the Ghoulies e Conker: Live and Reloaded
Enquanto isso, a Rare ainda lançou os jogos Banjo-Kazooie: Grunty's Revenge e Sabre Wulf para o Game Boy Advance. Quando os kits de desenvolvimento do próximo portátil da Nintendo (DS) foram disponibilizados, o Stampers pegaram alguns. Apesar de ser uma subsidiária integral da Microsoft, a maior parte da agenda de desenvolvimento da Rare voltou-se para as plataformas móveis da Nintendo. A Microsoft permitiu isso, eles não eram concorrentes no mercado de portáteis, e ela ganhava dinheiro com os jogos da mesma forma.
Banjo-Kazooie: Grunty's Revenge e Sabre Wulf
Mas aí chegou 2005, e a Microsoft precisava de 100% dos esforços da Rare no desenvolvimento para o seu novo console que estava chegando.

Fim da parte 6.
Fonte: IGN

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